Mudanças


por Moreno Osório

O Velha Amiga mudou de endereço. A partir da próxima viagem postaremos no http://www.7errantes.com/velhaamiga. O novo endereço faz parte de um grupo de jornalistas-viajantes-blogueiros, o 7 Errantes. Nele estão hospedados outros três blogs de viagem, o Por uma Vida Sabática, o Qualquer Lugar, e o Fuga Número Dois. Sigam acompanhando o Velha Amiga na nova URL. E conheçam os blogs dos nossos amigos!

Hasta luego


por Moreno Osório

Com as filas do aeroporto de Ezeiza ao fundo e junto do amigo e companheiro de algumas aventuras em Buenos Aires, Luis Filipe, mais uma vez nos despedimos e suspendemos as atividades do Velha Amiga por um tempo. A jornada na capital porteña foi bem diferente da que fizemos no começo do ano (principalmente pra Marcela, que viveu a cidade por quatro semanas), mas assim como no primeiro “até logo”, desta vez também não deu vontade de voltar. Quem sabe um dia conseguimos…

10 km em 49min19


por Moreno Osório

Não bati meu recorde pessoal de 49min10seg da Rústica de Porto Alegre, mas completei bem os 10 km de Buenos Aires, hoje, em Palermo, com 49min19seg (o tempo ainda deve ser corrigido). Como havia registrado o meu tempo da Rústica de Inverno de Estrela (49min24seg), fui premiado com uma medalla de superación, mesmo não fazendo parte do ranking da Buenos Aires Runners, os organizadores da corrida.


Momentos antes da largada


Chuva da noite deixou a temperatura agradável


Mesmo assim, na última volta, tava feia a coisa


Marca registrada no cronômetro


E o prêmio: medalla de superación

34 puñaladas


por Moreno Osório e Marcela Donini

Na última noite na capital porteña, seguimos a dica da Maria e fomos conhecer o “Bar do Nito de Buenos Aires”, Lo de Roberto, no bairro de Almagro. Tomando uma cerveja Warsteiner servida por um tranquilo garçom de havaianas e calça jeans, ouvimos o belo tango do 34 Puñaladas. Durante o intervalo do show, conversando com Alejandro, que cantava acompanhado por quatro violões, ficamos sabendo que eles gravaram com Vitor Ramil (o resultado da parceria deve estar disponível em breve), e que o gaúcho é bastante admirado pelo grupo porteño. Aqui é possível ver uma apresentação deles no Bar Tuñon cantando a mesma música que gravamos ontem e que pode ser ouvida no player abaixo, Bombay - Buenos Aires.


Duchamp


por Moreno Osório e Marcela Donini

Fotos da mostra Marcel Duchamp: una obra que no es una obra “de arte” e da Fundación Proa, em Buenos Aires, onde está acontecendo a exposição.

Consumo


por Moreno Osório

Quem já teve a oportunidade de sair de Porto Alegre e vistar uma metrópole maior sabe: vivemos em uma província. Principalmente em relação a determinados tipos de produtos. Roupas, bolsas e artigos de decoração, por exemplo. Fora “imaginariuns”, “monos” e similares , é tudo muito caro ou tudo muito igual. Ou ambos.

Assim como São Paulo, aqui em Buenos Aires a história é outra. Também há as coisas caras e/ou iguais, claro, mas as opções originais são variadas e (muitas vezes) bem acessíveis. É só saber (ter tempo de) ir aos lugares certos. Se não der pra bater perna pela cidade inteira, o negócio é se concentrar em San Telmo.

Além dos briques tradicionais dos domingos, o bairro tem várias lojinhas massa de artigos de decoração, sapatos, camisetas, livros e acessórios em geral. Há até um “mapa de compras” com a localização e os contatos de alguns desses estabelecimentos. Geralmente ele fica disponível no balcão das lojas.

Obviamente não deu pra conferir tudo, até porque a grana é curta, mas fizemos algumas compras. Na FXD, por exemplo, dá pra levar camisetas com estampas que vão desde o batido Che até filmes mais difíceis de se encontrar por cerca de R$ 30. Bem pertinho da DFX fica a Puntos en el Espacio, uma loja que lembra a Imaginarium, mas tem mais roupas e acessórios de vestuário.

Outra que parece a Imaginarium, e inclusive também é uma rede, com lojas por toda a cidade, é a Artentino. Por preços honestos dá pra deixar a casa sem aquela cara de “fui no Iguatemi”. Fora de San Telmo, o destaque (paraíso) é para a La Mirage, na verdade uma locadora de vídeo, mas com muitos produtos relacionados ao cinema, como pôsteres, camisetas, bolsas e canecas.


Algumas canecas à venda na La Mirage (Córdoba, 5031)

Disneylândia


por Marcela Donini

Um alemão e uma brasileira sentados num restaurante chinês em Buenos Aires.

Essa cena bem poderia ser um verso da música Disneylândia, de Arnaldo Antunes, gravada também por Jorge Drexler. Resume o intercâmbio cultural pelo qual passei quase todos dias aqui em Buenos Aires, especialmente durante as aulas de espanhol, que terminaram hoje.

Filho de imigrantes russos casado na Argentina com uma pintora judia, casou-se pela segunda vez com uma princesa africana no México.

Na primeira turma, éramos eu, um aposentado australiano, uma alemã de 19 anos e uma austríaca de 25. E um professor argentino. Depois, juntaram-se a nós dois alemães, cada um com seus 20, 20 e pouquinhos.

Enquanto eu vim movida pela paixão pela cidade, por toda a movimentação cultural e de lazer que oferece e segurança, os europeus só enxergam uma cidade suja, o que corresponde à realidade, e um pouco perigosa, o que também lá é verdade…

Lanternas japonesas e chicletes americanos nos bazares coreanos de São Paulo.

Obviamente que, se comparada com Porto Alegre, Buenos Aires ainda me parece mais segura. Já quando se compara à Europa ou aos EUA… Elisabeth, da Áustria, teve aula prática sobre a questão da segurança e como se chama, em espanhol, delegacia, polícia e roubo no primeiro dia aqui. Deixou sua bolsa em cima da mesa de um bar para ir ao banheiro e, quando voltou, já era. Teve que ir à comisaría, hacer una denuncia. Terry, norte-americano, colega no final do curso, foi vítima de furto no ônibus. Preju de 600 pesos argentinos + cartão de crédito que estavam em seu bolso.

Multinacionais japonesas instalam empresas em Hong-Kong e produzem com matéria prima brasileira para competir no mercado americano.

Cada vez que chegam cada um em sua casa, Michael (da Austrália) e Paula (Alemanha), se apavoram com a quantidade de trancas que têm de abrir e fechar. Cada ida ao súper, incomoda as européias porque lhes dão muitas sacolas plásticas. E para piorar, não há quatro cestos para cada tipo de lixo nos apartamentos em que vivem. É um só. Se quiser reciclar, tem que levar seus resíduos aos contêineres espalhados pelas ruas, porque não tem caminhão de coleta seletiva (nesse ponto, estamos uns passos à frente dos argentinos). Resultado: ninguém recicla.

Relógios suiços falsificados no Paraguay vendidos por camelôs no bairro mexicano de Los Angeles.

“E por que tem tantos aparelhos de televisão em uma casa?”

Quando eu falei que, na minha casa, onde vivem cinco pessoas, há seis televisores, acharam que era piada. Elisabeth vê só o noticiário na TV. E só tem 2 canais. “Pra quê mais? Não é possível ver todos mesmo.”

Já a professora argentina, chega em casa e a primeira coisa que faz é… ligar a TV.

Turista francesa fotografada semi-nua com o namorado árabe na baixada fluminense.

“Hermana latino-americana! Que bueno que estás acá! Estamos llenos de gringos”, brinca. Quando o assunto é corrupção na polícia ou superfaturamento de obras, como a polêmica que atrasa a finalização da reforma e reabertura do Teatro Colón, me sinto super à vontade.

Depois que chineleiam um pouco mais o país latino-americano, aproveitando para dizer que Mar Del Plata es una playa muy fea, Paula diz: “Vocês não devem gostar muito que a gente fale essas coisas, né?”

Ninguém gosta, claro. Especialmente os porteños.

Filmes italianos dublados em inglês com legendas em espanhol nos cinemas da Turquia.

A fama de arrogantes que se espalha pela América do Sul é sacada nas primeiras aulas pelos gringos. Aqui se ensina a chamar os outros por “vos”, e não “tú”, como na maioria dos outros países latino-americanos e na Espanha. O som do “ll” e do “y” também é diferente. Na hora de falar os verbos no passado, tem que conjugar do jeito mais difícil (yo tuve, vos tuviste, él tuvo…) e não do mamão com açúcar que é o pasado compuesto (yo he tenido, vos has tenido, él ha tenido…), porque não se usa. Não se usa aqui. Na Espanha, na Bolívia e outros lugares, sim.

Pilhas americanas alimentam eletrodomésticos ingleses na Nova Guiné.

Na segunda turma, outro alemão, Sebastian, e uma senhora escocesa, Olivia. O tema é crise mundial. Fiquei sabendo que, na Grã-Bretanha, os governos estão diminuindo os impostos para estimular o consumo. Aqui, Cristina quer blanquear capitales, e gera polêmica por abrir margem para lavagem de dinheiro.

Gasolina árabe alimenta automóveis americanos na África do Sul.

Outra turma (a rotatividade é grande por aqui): o norte-americano Terry + a velhinha escocesa - o alemão, que foi embora (depois de contar que o namorado de uma colega de trabalho morreu nos ataques recentes na Índia).

O norte-americano é amigo do Obama! Sim, o novo presidente! O cara é advogado, mora em Houston e é braço-direito do chefe do condado (aprendi que os estados nos EUA são divididos em condados). Enfim, parece ter linha direta com o homem. Ou estava mentindo, mas é uma boa história. Formado em jornalismo, dá aulas de Direito Internacional em uma universidade. É católico e membro do partido democrata. Oli é presbiteriana e não fala muito de política. E eu enchendo os dois de perguntas. Os três, porque a professora, agora outra que parece ver menos TV, também não me escapa.

Pizza italiana alimenta italianos na Itália.

Na última semana, Marina, paulista de 21 anos, recém formada em Administração, se junta a mim, e somos só nós nesta turma. Falar de Lula já não é mais um monólogo, e, inclusive, temos pontos de vista diferentes. A professora que não vê muita TV parece fechar mais com a minha simpatia pelo presidente ex-operário-e-que-fez-algumas-concessões-para-governar.

Mais do que aprender espanhol, aprendi muito sobre história e cultura argentina. Me dei conta de que as trajetórias de nossas independências são bem distintas. Enquanto a nossa foi proclamada pelo filho do Rei (e na escola aprendemos como se tivesse sido um ato muito heróico), os povos do Rio de la Plata pelearan mucho para lograr su liberdad. E têm muito orgulho disso. E se acham _ e não são? _ mais bravos e corajosos do que os brasileiros. E tem inveja de testemunhar os vizinhos encontrando reservas de petróleo adoidado e seu PIB subindo.

Crianças iraquianas fugidas da guerra não obtém visto no consulado americano do Egito para entrar na Disneylândia.

Igreja Ortodoxa Russa


por Marcela Donini

Revistas de cinema em BsAs


por Moreno Osório

Cheguei em Buenos Aires com uma lista de things to do. Como o dinheiro acabou, algumas vão ficar para uma próxima. Outras, por serem de graça ou baratas, deu pra cumprir. Uma delas era dar uma olhada na El Amante, uma revista mensal de cinema muito parecida visualmente (apesar da capa colorida, ela é praticamente toda em preto e branco) e em termos de conteúdo com a Teorema, de Porto Alegre.

Comprei a edição de dezembro, a número 199. A capa dá destaque para o novo filme do Robert Rodriguez, Planet Terror, que deve estrear em seguida nos cinemas porteños. O texto é bem elogioso e cita uma cena de Gremlins 2 em que os monstrinhos invadem um cinema e queimam a película para descrever o impacto e a representatividade da obra de Rodriguez: “cada explosión, cada tiro de metralia, cada shock visual provocado por la violencia representada en la película parecen hacer vibrar, atrofiar o quebrar la película misma”.

A edição também traz um especial sobre o ciclo de cinema 25 anos de cinema na democracia, que está em cartaz por aqui. Uma das matérias reconta as últimas duas décadas e meia da história argentina pelo viés cinematográfico, destacando erros e acertos das políticas públicas para o cinema, tendências que deram certo e errado, e, claro, filmes importantes do período. Algumas dessas obras estão sendo exibidas durante esta semana no espaço INCAA KM 0 (uma das salas do Instituto Nacional de Cine e Artes Audiovisuales destinadas apenas ao cinema argentino). No sábado, vamos conferir o Memorias del Saqueo.

Há ainda pelo menos outras duas revistas sobre cinema disponíveis nas bancas de Buenos Aires. A Haciendo Cine (HC), que é mais genérica e menos especializada que a El Amante, e a Cinemania, que parece ser um condensado de matérias e entrevistas oferecidas por agências internacionais.

El Zanjon de Granados


por Moreno Osório e Marcela Donini

Não é à toa que a primeira dica do artigo 36 Hours in Buenos Aires é o pouco conhecido El Zanjon de Granados. Localizado no coração de San Telmo (calle Defensa, 755), o lugar oferece uma bela maneira de se conhecer um pouco das origens da cidade. Em uma hora de tour, é possível caminhar por calçadas do século XVII e ouvir a água passar por baixo de cisternas usadas por imigrantes do início do século XX.

As fotos acima mostram a mansão restaurada. Embaixo dela estão os túneis. Lá é proibido tirar fotos, pois a empresa que adquiriu o local e o transformou em ponto turístico e também em um enorme centro de eventos quer mantê-lo em segredo. Esse cuidado fica claro na calma do local e no número de pessoas que o conhecem. Apenas dois turistas de NY (que leram o mesmo artigo) estavam no tour conosco.